sexta-feira, 24 de junho de 2016

Percurso da Tocha pelo Nordeste evidencia riquezas e talentos da região

Há 10 dias, a chama olímpica deixou o território nordestino, mas por onde ela passou, um rastro de diversidade, cultura e reconhecimento foi destacado. Entrando primeiramente em solo baiano e encerrando seu percurso no Maranhão, o símbolo daquilo que foi tirado dos deuses e entregue aos homens, realçou a riqueza do povo nordestino.

Bahia

Com um rico histórico que remonta ao período do Descobrimento do Brasil, a primeira cidade baiana a receber a chama foi Teixeira de Freitas. O local, às margens da BR-101, teve como principais atividades econômicas a pecuária e a extração de madeira. A tocha passou por lugares históricos, como Santa Cruz de Cabrália, onde foram realizadas as duas primeiras missas, celebradas pelo Frei Henrique de Coimbra. Ilhéus, cenário onde se mesclam o cacau e a literatura de Jorge Amado, também recebeu o fogo olímpico. Além destas, também foram prestigiadas as cidades de Porto Seguro, a capital Salvador, Vitória da Conquista, Juazeiro, dentre outras.


Foto: Matheus Bacelar / Site Brasil 2016.
Dos condutores escolhidos, destaca-se a participação do campeão brasileiro de triatlo, em 1997, Beto Kruschewsky, que ouvia a multidão gritar seu nome enquanto conduzia o fogo sagrado. Hoje, o esportista atua como árbitro na modalidade e vai participar da equipe de arbitragem nos Jogos Olímpicos 2016. O reconhecimento do estado baiano também foi para Nildo Ribeiro, ex-atleta e atual técnico da seleção de vôlei feminino da Associação Desportiva Ilhéus Cacau (Adic). Nildo, aos 83 anos, foi o primeiro condutor da tocha na cidade. 

Pernambuco
Adrianinha, pré-convocada para os Jogos Rio 2016. Foto: Ivo Lima/Brasil2016


Na terra do maracatu, 176 condutores percorreram 35 quilômetros, exibindo o fogo sagrado pelas ruas pernambucanas. Deste número, destacam-se três atletas olímpicas, o goleiro do Sport Clube do Recife Magrão, a comediante Fabiana Karla e o artista plástico, residente em Miami (EUA), Romero Britto. 

Há cinco anos que reside em Pernambuco, a jogadora de basquete, Adrianinha, construiu uma próspera carreira de 25 anos, sendo vinte deles dedicados à seleção brasileira de basquete, doze por times europeus, uma temporada pela WNBA (Liga de basquete dos Estados Unidos), além de quatro Olimpíadas. Agora, a jogadora foi pré-selecionada para os Jogos Rio 2016. 

Foto: Ivo Lima/Brasil2016

Yane Marques, pentatleta, também recebeu seus momentos de glória ao participar do "beijo" da 

tocha. Medalhista de bronze nas Olimpíadas de Londres, em 2012, e dona do ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no ano passado, Yane é promessa de bons resultados nestas Olimpíadas. Encerrando o revezamento em Recife, a campeã paralímpica Rosinha demonstra que é exemplo de superação não somente no lançamento de dardos, discos e pesos, mas também no arremesso de qualquer possível sentimento de derrota.


Sergipe


Foto: Lorena Castro/Brasil2016
Famosa por levar o título de melhor capital brasileira em qualidade de vida, a capital sergipana, Aracaju, também recebeu o fogo olímpico. Mesmo sob chuva, 68 condutores, exibiram orgulhosamente a tocha. Nordestino até no nome, Luiz Gonzaga, que é professor de tênis, foi honrado com grande festa ao receber a tocha sagrada em frente à Câmara dos Vereadores.

Gonzaga, que começou no futebol, mantém o projeto social Gonzaga Tênis, atendendo hoje a  21 alunos. No dia 11 deste mês, data de aniversário do professor, ele disputou seu primeiro campeonato pela Confederação Brasileira de Tênis, na categoria sênior (70-75 anos).



Alagoas


Entre comidas típicas, músicas e outras manifestações culturais é que a tocha foi recebida em Maceió, capital alagoana, em 29 de maio. A primeira condução ficou a cargo da oito vezes campeã mundial de jiu-jitsu e duas vezes vezes campeã mundial de bodyboard, Bianca Andrade. 
Foto: Ivo Lima/ Brasil2016
Mesmo debaixo d'água em alguns momentos do revezamento, músicos e dançarinos cantaram e dançaram maracatu, jogaram capoeira e fizeram apresentações folclóricas, como o Bumba Meu Boi. Na plateia, as sombrinhas e guarda-chuvas ajudavam a colorir as apresentações.

Paraíba

Na terra do maior São João do mundo, as quadrilhas e o casamento da roça foram aquecidos pela chegada da tocha olímpica, no dia 02 de junho. Entre as estátuas de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga e rodeado por quadrilheiros e sanfoneiros, a chama veio às mãos do ex-atleta e medalhista campinense, Assis Paulo, que a levou até o último ponto de condução.
Foto: Ivo Lima / Brasil2016

Rio Grande do Norte


Foto: Brasil2016
O símbolo olímpico suscitou nos mossoroenses o desejo de contar a sua história. Conhecida por ser a pioneira na libertação dos escravos, por expulsar o bando de Lampião e pela revolução dos direitos das mulheres, Mossoró decretou ponto facultativo na cidade para permitir que seu povo fosse às ruas e exaltasse suas riquezas durante a passagem da tocha.

O ponto de largada foi no bairro Alto de São Manoel nas mãos do ex-jogador de futebol Cícero Ramalho. Além disso, foi inaugurada a obra de arte "A Chama – Celina Guimarães" do artista plástico Guaraci Gabriel, uma homenagem ao poder feminino. A obra é composta por 12 hastes que representam as sacerdotisas que conduziam o fogo olímpico na antiguidade. No centro delas, está Celina, a primeira mulher a votar no Brasil, em 1943.

Ceará
Adriana e Shelda. Foto: Rafael Brais / Brasil2016

A terra do sol também celebrou a conquista das mulheres, com a presença da Maria da Penha no acendimento da pira na Praia de Iracema. O percurso de 35 quilômetros na capital cearense foi dividido em três rotas e começou dentro de um dos maiores símbolos esportivos na cidade e palco de muitos clássicos, a Arena Castelão. 

Dentre os condutores, podemos destacar a participação da inesquecível dupla de vôlei de praia, a cearense Shelda e a carioca Adriana Behar. A capital alencarina demonstrou que não resguarda somente o espírito brincalhão, mas exaltou também o espírito olímpico e vencedor de nosso povo.

Piauí


Foto: André Luiz Mello / Rio2016
Penúltima parada da tocha olímpica pela região Nordeste, a cidade de Teresina, capital do estado, abriu suas portas para o fogo sagrado. Terra onde o artesanato de cerâmica é uma das principais fontes de renda, a população piauiense acompanhou o trajeto célebre até o seu ocaso na ponte Estaiada, um dos mais importantes pontos turísticos do lugar.

Impedida de conduzir a tocha em Teresina por questões de agenda, a judoca Sarah Menezes o fez em Parnaíba, no litoral do Piauí. Sarah trouxe visibilidade ao estado quando conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Maranhão

Foto: Lorena Castro / Brasil2016
Descida de rapel, passeio de barco e bicicleta. O último dia do fogo olímpico no Nordeste foi cheio de emoção, no dia 14 de junho, em Imperatriz. Com 75 condutores divididos em três rotas, a chama chegou à cidade pelo aeroporto e seguiu até a ponte Dom Affonso.

Com uma descida de 50 metros de rapel da ponte Dom Affonso até as águas do Tocantins - segundo maior rio totalmente brasileiro - a chama passou da tocha do professor de artes marciais Francisco Amorim para o cantor José Bonifácio, o Zeca, que esperava dentro de um barco.

Seja para celebrar conquistas ou mesmo para reconhecer talentos locais, a passagem do fogo sagrado pelo Nordeste serviu para nos mostrar o quanto nossas raízes são firmes e o quanto nossa cultura é forte. Da Bahia ao Maranhão, os nordestinos provaram que, mesmo sob chuva em algumas cidades, somos aquecidos pela chama das conquistas e riquezas culturais.

Fonte: Brasil 2016.



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